Esta era a capa de uma fita K-7 do artista camaragibense Jameson Monteiro. Ele era uma figura. Muito posudo, ele só andava de branco e cantava músicas de forró, espelhando-se no seu ídolo, Alcimar Monteiro. Neste, apresentou um repertório gospel, com composições de Marco Antônio, o Negão Abençoado?. O tempo vai levando a gente por aí. Quem lembra dele? Quem sabe o que ele está fazendo?
domingo, 24 de agosto de 2014
CD Batido no Chão, de Artur Silva, 2008.
Na última
sexta, feira dia 22.08.2014, fui presenteado com o CD Batido no Chão de 2008 de
Artur Silva, funcionário público, artista e agitador cultural pessoense,
radicado em Guarabira. São ao todo dez faixas de pura criatividade e
diversidade cultural. Indo da poesia recitada, passando pela cantoria, coco de
embolada, músicas românticas, performáticas e o tradicional forró. Há a participação
de vários outros artistas, como Antônio Costa, Dante Alighieri, Emanuel Leal,
Vera Granjeiro, Novinho, Salvador Alcântara, Sandro Alves e Mestre Deda (in memoriam), com a imagem da escultura
da carranca que ilustra o encarte.
Destaco aqui, cinco faixas para
deixar um gosto de quero mais:
Budelaire
Batido no Chão
Na latada
Solidariedade
A peleja de um caboclo
Budelaire
Batido no Chão
Na latada
Solidariedade
A peleja de um caboclo
Concurso de Desenho no Sarau Café com Poeira
Na última sexta-feira, dia 22, no Sarau Multicultural Café com Poeira, em Guarabira - PB, realizamos um concurso de desenho com pape ofício A4 e caneta esferográfica. Eis os três desenhos participantes. Sendo o ganhador o primeiro, que desenhou um rosto de um rapaz no estilo Mangá, embora que todos os trabalhos tenham a sua beleza específica e de acordo com a técnica desenvolvida pelo artista. O vencedor foi o mais votado pelo público presente e recebeu um livro-apostila de desenho e animação de Sílvio Toledo, que recentemente ao lançar seu filme, O Resgate do Pavão Misterioso, em Guarabira, me presenteou. Creio que este chegou em boas mãos. Gostei.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Camaragibe teve uma Unidade de Suporte Avançado do SAMU desabilitada pelo Ministério da Saúde
De acordo com a Portaria 1714
publicada no Diário Oficial da União na data de 18 de agosto de 2014, o
município de Camaragibe em Pernambuco, teve uma Unidade de Suporte Avançada do
SAMU desabilitada por esta não estar em funcionamento, o que foi constatado
pelo parecer técnico de número 173 de 2004 emitido pelos auditores competentes.
Conforme o documento ainda, o Fundo
Nacional de Saúde solicitará a devolução total da verba retroativa que foi
liberada para esta finalidade desde 2007 até a data de publicação desta
Portaria.
Os gestores municipais devem
esclarecimento à população, pois devolução de receita é atestado de incompetência.
PORTARIA Nº 1.714, DE 15 DE AGOSTO DE 2014
Desabilita 1 (uma) Unidade de Suporte Avançado do Município de
Camaragibe (PE), pertencente ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU
192) da Central de Regulação das Urgências de Recife (PE).
O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso das atribuições que lhe
conferem os incisos I e IIdo parágrafo único do art. 87 da Constituição,
e
Considerando a Portaria nº
808/GM/MS, de 17 de abril de 2007, que habilita o Serviço de Atendimento Móvel
de Urgência (SAMU 192) do Município de Camaragibe (PE);
Considerando a Portaria nº
1.010/GM/MS, de 21 de maio de 2012, que redefine as diretrizes para a
implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e sua
Central de Regulação das Urgências, componente da Rede de Atenção às Urgências;
Considerando o Ofício nº 141/2013 e Ofício nº 022/2014-GS do
SAMU Metropolitano do Recife (PE), sinalizando ao Ministério da Saúde o não
funcionamento da Unidade de Suporte Avançado (USA) da Base descentralizada do
Município de Camaragibe (PE); e
Considerando o Parecer
Técnico nº 173 de 2014 constante do Processo nº 25000.057534/2014-42, resolve:
Art. 1º Fica desabilitada 1
(uma) Unidade de Suporte Avançado do Município de Camaragibe (PE), pertencente
ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) da Central de Regulação
das Urgências de Recife (PE).
Art. 2º O Fundo Nacional de
Saúde adotará as medidas necessárias para a devolução do repasse de custeio
retroativo ao período de habilitação a partir da competência janeiro de 2007
até a publicação da portaria de debilitação.
Art. 3º Esta Portaria entra
em vigor na data de sua publicação.
ARTHUR
CHIORO
Da redação.
Da redação.
domingo, 17 de agosto de 2014
O livro que estou lendo e três poemas nele contido
Enxuto
Gosto dos substantivos
Os adjetivos são provisórios.
Acerto de contas
Por que todo mundo tem cara de mau na fila do Banco?
Minha Pátria
Uma morena me perguntou o que é minha pátria. Ainda não sei.
A minha pátria é desejo de entrar em outros mundos. Vontade de
acalentar todos os mundos, com seus amores e ardores de guerra. Minha pequena
pátria é o erro do português;
É a nova gramática nunca aprendida totalmente. É uma pinga exagerada
nos cerimoniais das nações.
Uma morena me pergunta o que é minha pátria e eu desmancho calado no
seio azul do seu mar. A entrega do corpo é a minha pátria. A entrega da pizza é
a minha pátria. O castelo escondido no meio da mata, o último escândalo da
República
o seu riso
o seu sofrimento
a sua alegria de domingo frente a televisão
William Bonner e Fátima Bernardes
Tudo isso é minha pátria
Como é minha pátria essa solidariedade de enchente
E a vida no meio do mangue
A minha pátria ... ainda não sei o que é, mas a escuto sempre aqui
Nesse coração machucado de amor.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Altomir Nascimento – O gogó do Brega, lança álbum em homenagem ao rei Reginaldo Rossi.
Conhecido como Gogó, o cantor guarabirense,
Altomir Nascimento lança seu mais novo CD intitulado Tributo a Reginaldo Rossi.
Sendo este o seu quinto trabalho, mostra maturidade e bom gosto. Dentre as
músicas estão Meu Fracasso, Quatro Estações, Garçom, dentre tantas outras do
grande astro recifense recentemente falecido.
Altomir relata que já teve uma
experiência engraçada e marcante com o Rei, quando este veio cantar na região.
Conta ele que quando ainda bebia, pediu pra cantar uma música no palco, ele o permitiu,
só que momento de cantar, juntando a emoção com a cachaça brejeira, a letra lhe
fugiu, deu um branco. Altomir não conseguiu cantar. Daí, Reginaldo perguntou: _
Quer que eu faça um cantor em você, bicho? (A plateia gargalhou abundantemente)
Por estas e outras que Altomir não toca mais em álcool e agora presta uma homenagem
ao showman que era muito querido em todo país e deixou uma legião de fãs.
Quem quiser adquiri-lo é só
ligar para o número (83) 8800-4102 ou com o próprio artista que todas as
segundas se apresenta no Novo Bar, na subida do Frei Damião em Guarabira – PB a
partir do meio dia.
Da redação.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Eu e Ariano Suassuna. Morre o homem. Nasce o mito.
Já o
admirava de longe. E via sua importância histórica e seu entusiasmo pelo
universo da criação cultural. Gérmen que contaminava a mim e vários outros
pernambucanos que buscavam uma identidade distinta. Outros sonhadores que se
multiplicam até hoje. Nós tínhamos um complexo de vira-latas gritante. Havíamos
saído de ressaca dos anos oitenta. Nossa cultura popular era coisa sem
fundamento e importância. As discotecas ainda pululavam nos bailes pelo país a
fora e nas rádios movidas a Jabá. Eis que surge para mim, o paraibano, com a
família advinda de Taperoá, dando uns socos de possibilidades e descobertas.
Ele foi o fundador do Movimento Armorial que inspirado
nas raízes da nordestina em seus aspectos da cultura árabe e latina e em seus
grandes autores, intencionava tornar a cultura nordestina reconhecida e
valorizada internacionalmente por meio de seus valores universais.
Sentia
seus traços no que se manifestava no seu alfabeto de fonte armorial baseado nos
ferros do gado, na música, Antônio Carlos Nóbrega, Antônio e Antúlio Madureira.
Quinteto Armorial, Sá Grama, entre outros, Na dança, A Busca do Graal Dançado,
nas artes plásticas, Gilvan Samico, na escultura com Brennand, no teatro com
seus belos e memoráveis textos sendo montado cada vez mais por diversos grupos
e outros textos surgindo sem parar, como na literatura de Raimundo Carreiro com
um nuance urbana totalmente distinta. Até culminar na montagem do Auto da
Compadecida para o cinema mostrando um pouco do impacto de sua visão estética e
transcendental.
Tive a
oportunidade de marcar uma audiência com ele, quando o mesmo era secretário de
cultura do Estado da gestão de Arraes para ele liberar a montagem de um texto
que seria montado com atores iniciantes. Ele nos recebeu e prontamente liberou a
obra em um documento de próprio punho. O texto de então era o Santo e a Porca.
Uma montagem de um grupo teatral camaragibense. Este espetáculo circulou pela
cidade e em alguns outros municípios. Ganhamos alguns prêmios, eu ganhei o de
ator revelação no Festival de Teatro de Bolso com o Personagem Pinhão, o qual
fazia um gago namorador e presepeiro. Deste lembro também da elogiada
apresentação no Congresso da então FETEAPE – Federação de Teatro Amador de
Pernambuco, em Camaragibe.
Já tinha
assistido, no mínimo, duas vezes a suas Aulas Espetáculos, único assunto que
poderia puxar com ele, que proferia por todo país juntando conhecimentos
acadêmicos com causos e vivências pessoais. Achava-o parecido com Poliquarpo
Quaresma em seus arroubos na defesa de nossa pobre gente que foi moldada,
deliberadamente, pelo modo de pensar externo, americano, inglês, francês, etc. Uma
das coisas engraçadas que ele dizia é que quando os Estados Unidos queriam
acabar com um país, não estavam mandando mais bombas, ele mandava Madonna e
Michael Jackson. Eu entendia tudo. Sabia da importância e da existência da
dominação cultural. O povo gargalhava e aplaudia compulsivamente. Logo depois,
ele quebrou um pouco desse extremismo com o advento de Chico Science, no qual
não simpatizava inicialmente, mas foi ao seu enterro prematuro em prantos, por
reconhecer naquele outro ícone que mostrou possibilidades multicoloridas e
infinitas de nosso chão e nosso céu refletido na lama do mangue.
Muitas estórias
confabulam-se sobre ele. Uma delas é que alguém disse a ele que só seria um
grande escritor, se saísse do Brasil. Ele de pirraça. Pelo que andei vendo,
nunca saiu. E se firmou um escritor importantíssimo e único. Outro episódio, em
um evento em sua homenagem onde o mesmo havia sido barrado na entrada por não
estar de paletó e gravata. Saiu e conseguiu o traje a rigor. Daí, durante o Buffet
e a sopa servida, o prato principal, ele colocou a gravata dentro do prato pra
bebê-la. Todos o avisaram pensando ele estar distraído, onde este diz
peremptoriamente que a gravata era mais importante que ele. Então ela que
deveria tomar a sopa.
Outra
estória seria não sei de sua veracidade, a de que outro colega escritor e
filósofo pernambucano Jomard Muniz de Brito, seu ex-aluno de estética da UFPE
que havia escrito um texto fortíssimo no jornal, desqualificando ele e o
movimento armorial, em detrimento do tropicalismo, de Caetano, Gil, o qual defendia
e trocavam farpas. Ariano saiu andando a sua procura. Como não encontrou,
perguntou por ele a um conhecido que disse que não veio. Ariano prontamente
deu-lhe um soco, dizendo, para que o seu amigo repassasse para o autor da
coluna. Não sei, onde isto é boato ou verdade.
Posteriormente,
montamos Torturas de Um Coração já com a Cia Popular de Teatro de Camaragibe.
Espetáculo este que nos fez mergulhar ainda mais em seu universo, e em saber
que este texto foi criado para teatro de mamulengo para Zélia, sua esposa e fez
sucesso pela sua simplicidade de gênio. Os artistas geniais são simples e
densos.
Outro
fato interessante e único foi em Camaragibe também, onde já foi homenageado
presencialmente em um Carnaval e tinha o devido respeito. Mas, certa vez um
artista local o convidou para receber uma homenagem. E este divulgou aos quatro
cantos que o mesmo iria dar uma aula espetáculo. O mesmo foi pra lá, muito
aplaudido. Auditório lotado, todos esperando suas estórias. No entanto, o
mesmo, recebeu a homenagem, deu boa noite e foi embora. Ficamos olhando um para
cara dos outros. Ele era excêntrico.
Fato
memorável, também, foi em um polêmico evento em que fora homenageado, mesmo
sendo gestor público. E os atores receberiam uma grande soma para fazer uma
leitura dramatizada de uma de suas peças. Ele foi lá assistir orgulhoso. Mas, a
classe teatral e o pessoal mais crítico, desceu uma grande vaia. Ele, seguro e
esperto. Saiu soltando beijos. Grande e polêmica figura.
Ele
revolucionou a cultura pernambucana, nordestina, brasileira. E se hoje temos um
pouco de orgulho do que somos. Devemos bastante coisa a ele. Mas, como Sísifo,
sua luta ainda não findou e a sua morte seja uma oportunidade para mergulharmos
de corpo e espírito em sua inquietação incessante na busca de nossas origens e
em sua necessária sublimação, em um eterno recomeço.
Hoje, residindo,
Em Guarabira, na Paraíba, vejo a sua importância e a necessidade de que seu
conhecimento se expanda para todo país. Para defendermos, com dignidade cultural,
cada palmo deste chão.
Grande abraço, Mestre Ariano. Siga na fé.
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